Comunicação com adolescentes: está impossível conversar em família?
- Giovanna Mandarino
- 24 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 12 de mar.

"Dou mais força aos meus filhos quando estou disposta a olhar bem dentro de mim e quando sou honesta com eles sobre o que encontro lá, sem esperar uma resposta avançada para a idade deles". - Audre Lorde, 2207
A fase da adolescência já é culturalmente conhecida como um momento complexo para as famílias. Apesar de pais e responsáveis sentirem amor pelos adolescentes da família, muitas vezes esse sentimento é tomado por uma extrema irritação e até raiva diante de comportamentos e respostas desafiadoras. Tais sentimentos são perfeitamente normais de aparecerem, pois eles surgem a partir de uma preocupação genuína com o jovem em questão. A comunicação com os adolescentes, no entanto, deve ser trabalhada com toda a família.
A comunicação é um processo psicológico extremamente complexo, que é desenvolvido em etapas ao longo da vida. Em diversos momentos, apesar de dominarmos as técnicas de comunicação (fala, desenho, escrita, etc.), não conseguimos operacionalizá-las de forma efetiva para passar nossa mensagem. A mesma dificuldade pode acontecer no momento de ser receptor dessa informação, situações no qual parece impossível compreender ou validar a fala do outro. Na dificuldade de diálogo com adolescentes, isso acontece com frequência. Nessa faixa etária, os jovens ainda estão em processo da formação de uma auto imagem e de compreensão dos próprios sentimentos em relação ao território que habitam. Por vezes, o envolvimento afetivo das famílias com o jovem acaba sendo uma barreira para ajudá-los nesse processo.
O acompanhamento psicológico entra em cena operando em diversas frentes para ajudar nesse momento. O primeiro ponto deve ser apresentar para o jovem um espaço no qual ele tem liberdade para se expressar e ser escutado, sem se preocupar com as implicações afetivas de seus sentimentos e pensamentos. Fora do seio familiar, e com um adulto que não está em seu dia a dia, fica mais fácil para o adolescente trazer questões que muitas vezes tem dificuldade de comunicar à família.
Em outros casos, no entanto, o adolescente ainda se sente envergonhado ou até irritado de precisar compartilhar seu mundo com um adulto- que muitas vezes aparece como um inimigo, pois não o compreende completamente. A terapia entra, aqui, como uma ferramenta para ajudar o adolescente a encontrar seus próprios artifícios para a comunicação com o outro. Assim como acontece dentro da família, o jovem pode ser muito resistente a esse processo no início, porém é importante respeitar o tempo e a formação de vínculo dele com o terapeuta. Como em todo processo terapêutico, na terapia com adolescentes são eles que conduzem o trabalho clínico.
Apesar de o sujeito terapêutico ser o adolescente, a família não deve ficar desassistida nesse caso. Os conflitos frequentes geram uma angústia grande, e talvez o próprio fato do jovem ter um espaço terapêutico para "reclamar" da família aumente ainda mais esse sentimento. No acompanhamento terapêutico de qualquer menor de idade, as reuniões familiares são essenciais. Considerando a importância do adolescente compreender que a terapia é um espaço seu, e não algo que sua família está lhe impondo, tais reuniões familiares devem acontecer sempre na presença desse jovem, funcionando inclusive como um espaço de mediação para questões que, talvez, não conseguiriam ser dialogadas com qualidade em casa.
É importante sempre relembrar que as dificuldades de comunicação não significam uma incompatibilidade entre a família e o adolescente, nem que o amor não existe dentro dessa família. O elo pode parecer inexistente ou invisível no momento, porém o atendimento psicológico pode servir justamente para ajudar as famílias a encontrá-lo e fortalecê-lo.
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